Sempre que ouvi alguém repetir o ditado popular “errar é humano”, o disse, quase sempre ao que me recordo, se referindo a um terceiro que lamentava as suas escolhas no passado, recente ou distante, cujo ressentimentos pelas ações são causa do remorso da própria culpa nas insatisfações que vive no presente.
É certo que todos teremos esse sentimento de insatisfação de quem fomos, como nos comportamos, agimos e reagimos no passado. E isso, acredite, é bom!
Por certo que é doloroso sentir tais angústias. Afinal, talvez, aqui, um achismo, se sentir culpado pelo estado atual de vida seja o maior causador da doença do século, a depressão; por óbvio que concorrem incontáveis fatores outros específicos de cada ser, a exemplo da predisposição genética.
Mas é a partir deste pesar que surge da maturidade de assumir os próprios erros, da conclusão lúcida de que somos responsáveis pela vida que temos, que o interlocutor acima referido ao profetizar as sábias palavras “errar é humano” o refaça não em tom de lamentação compassiva; talvez, em um primeiro momento, porém, tão logo oportuno, estenda a mão, toque o queixo do seu amigo e, com olhar de compaixão e carinho, levante a sua cabeça, olhe-o nos olhos e lhe diga:
“_Nós erramos. Mas também acertamos. Vamos relembrar quanto possível dos seus inúmeros acertos, tenho certeza de que a quantidade ultrapassa, em muito, os recontados repetidamente desacertos que “acha” que cometeu?”.
Utilizo o achismo porque inegavelmente não temos uma visão do todo ao julgarmos o que erramos; por outro lado, o sentir é único e só nós sentimos da forma como sentimos. Não é simples, sobretudo, ao descobrirmos que os nossos resultados não atingem só a nós mesmos.
Daí ser uma autoilusão acreditar que a vida é minha e faço dela o que bem entender. O que mal entender também acaba sendo feito. E, mal entender, não, necessariamente, quer dizer, que buscou o erro. A ignorância do que é certo quase sempre nos conduz ao erro.
Mas o que é certo? Se sequer temos a certeza das nossas escolhas não faz sentido lamentar eternamente o erro. Afinal, não se quis errado, e se o fez, em suma, acertou no erro!
De modo consciente e honesto, ninguém sabendo quem se é qual seria o seu verdadeiro propósito na Terra, se conduziria propositalmente a só errar na vida. Essa é uma das poucas certezas no universo de incertezas que carrego.
Todos nós fazemos boas e más escolhas na busca de acertar e ser feliz. Muitas vezes ao agir mal, ao fundo, no íntimo de cada um, a intenção é se sentir melhor, afastando uma dor ou a compartilhando inconscientemente.
Quem sempre buscou acertar e ser feliz, erra. Por isso o milagre do livre arbítrio do qual fomos abençoados por Deus é materializado no erro. A vulnerabilidade humana manifestada no erro constitui a essência das infinitas possibilidades do acerto.
É só errando que encontramos o caminho da nossa verdade, que por essência, é divina. Sim, todo o universo é divino, obra do Criador. Mas, ao que sei, somente um ser vivo neste planeta é cocriadores consciente da sua própria vida, nós, humanos.
Pato, não erra. Beija-flor também não. Ser humano, vixi, não só erra como é facilmente conduzido ao erro….kkkkk
Entender as nossas falhas como atributo elementar do poder de cocriação do mundo manifesto perpassa pelo autoconhecimento do fardo da vulnerabilidade de não sabermos o que fazer, porque, como, quando e por e pra quem fazer como uma dádiva divina.
Se erramos, acertamos; e vice-versa. Afinal, nem sempre uma escolha julgada certa se demonstrou a melhor no futuro, não é? O contrário também se aplica. Ressignifique os erros que se arrepende. Quem te garante que ter errado não te fez preparado para melhores decisões agora e no decorrer da vida.
E se o objetivo é a felicidade plena, o jogo da vida é jogado sem treino. O aprendizado é a cada jogada, por meio da tentativa e erro. A melhor, senão a única, forma de entender e conhecer a verdade.
Não se julgue por errar no jogo; pelo contrário, orgulhe-se de estar jogando. Levante-se, repense a jogada, reconheça o erro. Aprenda com eles. Retorne para o jogo!
Penso que no jogo da vida, Deus não ocupa a posição de Juiz dos nossos desacertos. Ele nos ama incondicionalmente a ponto de nos assistir como um pai orgulhoso que torce pelo seu filho numa arquibancada durante um jogo que seu filho é titular. Deus pai sabe que no coração do seu filho obter o sucesso nesse jogo representa a própria vida, a felicidade do seu filho. Te pergunto, não precisa ser Deus.
Só reles humano, limitado, mortal e pai. Dá pra condenar um filho dedicado, determinado e comprometido com a sua melhora, mas, quando a bola vem em sua direção, é cada chute de canela….kkkkkk Pode rir, esse filho somos nós.
O apito final é a morte. Eu não quero errar, eu não quero sofrer a derrota; mas se acontecer, eu quero sair todo sujo, ralado, exausto, camisa molhada de suor e ser abraçado pelo meu pai e ouvi-lo dizer: Parabéns meu filho, você deu o seu melhor. Acreditou na vitória. Se entregou no jogo. Caiu cem vezes, levantou-se cento e uma, e voltou a jogar. Será sempre o meu campeão!
No jogo da vida, vencedor é quem está no jogo e vivencia a sua fé na vitória. O campeão são aqueles que não a perdem enquanto não soar o apito final.
(A impossibilidade do não erro constitui a essência das infinitas possibilidades de acerto.)
André Freddo.
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